terça-feira, 8 de agosto de 2017

Descobertas


Vitória arregalou os olhos, não cabendo em si de contentamento. E se coubesse, a alegria nem caberia na alegria e subiria faceira, indo fazer rir as nuvens.


O jardim da casa nova era uma novidade nunca vista antes por ela. O apartamento pequeno, com vista para outros prédios, a fizera pensar que pessoas nascessem em blocos, flores só crescessem em vasos, pássaros vivessem apenas em gaiolas, gatos e cachorros morassem em sofás e tapetes e, eventualmente, em sua cama.


Na pracinha onde costumava brincar, as flores viviam em grandes vasos de cimento. Agora, com as mãozinhas na boca de puro espanto, descobria que elas também nasciam do chão, direto da terra e cercada pela grama verdinha e fofa.


Os pais, zelosos com a saúde da filha, resolveram comprar uma casa, pois queriam que ela tivesse contato com a natureza. Vitória apresentara sintomas alérgicos e o ar fresco iria lhe fazer bem - recomendações médicas - que trataram de seguir.


Dando pulinhos, a menina explorou o terreno, gritando o tempo todo "olha! olha!". Com os pezinhos descalços, correu pela grama, tocando nas plantas e exclamando para os pais "como o pátio novo tinha um cheirinho bom".


Para completar a alegria da filha, os pais montaram uma pequena barraca no jardim, para que Vitória pudesse brincar e se proteger do sol. Cansada com tantas novidades, a menina deitou e dormiu em seguida, com o rostinho corado e feliz. Então, sentiu algo subindo pelo braço, causando-lhe cócegas. Abriu os olhos e viu uma joaninha. A coisa mais linda que já vira. Que bichinho seria aquele? Não sentiu medinho. Amou a criaturinha. Colocou-a nas mãos. Alisou. Contou-lhe historinhas. Conversou bastante com a pequenina visitante, revelando-lhe todas as lembranças que seus três anos de memória foram capazes. Exausta, adormeceu, esquecendo a joaninha, que ficou passeando dentro da barraca.


Quando acordou, já estava de pijama, deitada em sua cama. Era uma daquelas mágicas que amava mais que tudo. Quando dormia estava num lugar, quando acordava estava em outro. E os pais sempre por perto.


No dia seguinte, foi para o jardim brincar. Esperou pela joaninha, que naquele dia não apareceu. Contou para a mãe sobre o bichinho que parecia uma bolinha. A mãe riu muito e explicou para Vitória tudo o que sabia sobre joaninhas.


Os dias correram. A menina cresceu. E como é próprio da vida, os momentos vividos vão ficando para trás, mas sem saírem de dentro.


Tornou-se uma linda jovem e bióloga dedicada. Adquiriu um gosto inexplicável por joaninhas. Não sabe dizer a origem de sua afeição, mas sempre que encontra algum objeto com formato do bichinho, fica admirando, fascinada. Já comprou adesivos para seu notebook, mouse, pen drive, agendas, estojos, mochilas, cadernos e vários utensílios com o tema. Seu atual sonho de consumo é um celular com o formato de uma joaninha.


E quando, por curiosidade, perguntam a ela o motivo desta sua preferência, ela encolhe os ombros e responde:


- Sei lá! Gosto é gosto.



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Infelizmente não vou poder ir, mas 
os meus livros estarão lá a venda.

* obrigada pelas visitas e comentários *


14 comentários:

  1. Que amor e eu, como ela, adoooooro joaninhas, desde pequeninha...Adorei! bjs, chica

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  2. Rosa, boa noite querida!!
    Como sinto falta dos seus contos e estou sempre atenta às novidades: assim que publica venho aqui para conferir!! :)))

    Maravilhosa narrativa, tão meiga e doce a história da pequena e frágil menininha, que descobriu como uma joaninha pode ser encantadora e ficar para sempre na memória!!
    Amei!!
    Obrigada!!

    Desejo uma semana maravilhosa!
    Beijos!! :)))

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  3. Oi, Rosa.
    A sua escrita sempre me encanta e com o conto Descobertas, não foi diferente. Eu também sou apaixonada por joaninha.
    Abrçs

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  4. Será que assim, descobri, então, por que eu gosto de gatos?!

    Maravilhoso conto, escritora!!

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  5. Oi Rosa,
    Adoro joaninhas
    Mas o progresso sumiu com elas.
    Linda estória
    Beijos no coração
    Lua Singular

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  6. oi, Rosa, delicioso conto que me faz voltar ao passado, um passado de descobertas e joaninhas, uma das sete maravilhas da natureza para as crianças.A propósito tenho umm pijama de blusa de joaninhas...por que será





    joaninhas! lindas...saudades de minha infância...belo conto!
    Um abraço































    /

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  7. As joaninhas são mesmo apaixonantes.
    Que conto lindo Rosa!
    De uma ternura encantadora. Regressas em grande estilo que é a tua marca grande escritora
    Beijos e carinhos

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  8. Eu sei o motivo da admiração dela por Joaninhas! Foi quase que o primeiro contato com um bichinho que não a assustou, que despertou nela um sentimento próprio das crianças, viu na joaninha retratada a sua inocência.
    Delicadíssimo conto, querida Rosa, você é muito eclética, de personagem como sherlock Holmes, carismático e astuto pode passar para uma inocente joaninha! rss
    Beijo grande, tá fazendo falta no blog...

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  9. Gostei muito de te ver de volta, Rosa.
    Contista de talento que és voltaste com este excelente conto
    . Gostei muito. Parabéns.
    Um abraço.
    Pedro

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  10. Uma narrativa bem estruturada. As joaninhas são lindas sim, as crianças adoram e fazem uma festa com a presença delas.
    Tenha um bom dia !abraço!

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  11. Simples assim... gosto é gosto!...
    E como eu gostei deste texto deveras encantador!
    Bom tê-la de volta, Rosa!
    Hoje com um pouquinho de pressa, deixando um beijinho, e agradecendo a sua simpática presença, lá no meu cantinho... e por estes dias, um trabalho seu, irá estar em destaque, lá no meu canto, com um link para aqui, no meu próximo post, que irá sair esta semana...
    Amanhã virei com mais tempo, ver que outros posts, mais recentemente, me terão escapado por aqui...
    Beijinho! Tudo de bom!
    Ana

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