
Por trás da cortina, testemunhou a esposa chegando. Caronas sucessivas de um chefe atencioso. A troca de sorrisos e olhares na despedida, revelavam uma intimidade vista subitamente por ele com outros olhos.
Pronto. Um fio de suspeita se esticou dentro da cabeça de Ramon.
Como não havia percebido? Ao desenrolar fatos anteriores, o fio se espichou ainda mais. Uma linha tão fina, que talvez nem desse para costurar a rasgadura de um vestidinho de boneca. Mas, consistente o suficiente, para que a pulga escondida atrás de sua orelha pulasse cordinha na cadência da dúvida.
Ramon Linhares sempre fora um homem otimista, do tipo que acredita na humanidade. E quem não tem maldade, não a vê nos outros. Será mesmo?
Embora ninguém tenha como saber o que se passa nos pensamentos alheios, ele costumava esperar o melhor das pessoas, pois oferecia o seu melhor para elas.
O novelo de confiança, aos poucos desfiou-se. Passou a observar Silvia. Analisava sua voz ao atender o telefone. Revistava sua bolsa. Conferia sua agenda. Seguia seus passos, como um detetive.
A incerteza o afetou de tal forma, que sua mente virou um tear. E não tendo suas suspeitas esclarecidas, o fiozinho se transformou em dois, depois em três, em quatro, em cinco...e foi aumentando, à medida que as pontas iam se entrelaçando, encontrando outras pontas, gerando feixes de desmaiadas suposições.
Mal desatava alguns nós e outros já surgiam, como que o desafiando a continuar tentando.
Viveria para ligar as pontas soltas?
Viveria para ligar as pontas soltas?
Esgotado, encostou Silvia na parede. Negações. Recusas. Imposturas. Insistiu. E com um nó na garganta, obteve a confissão. Acalmou-se. A pulga desapareceu. O tear sumiu.
Que alívio poder lidar com a sinceridade!
Os fios, ligados um por um, formaram uma rede. E ele, serenamente, deitou-se nela.
Amigos queridos, atualizei a postagem, mas continuo em recesso. rs
Retornei de férias e agora estou a 1000/h em meu novo livro.
Beijos e abraços...obrigada pelo carinho. :)










