terça-feira, 16 de outubro de 2012

Castelo de Areia


O Clube de de Autores está promovendo o III Prêmio de Literatura Contemporânea 
e meus dois livros ficaram entre os 10 finalistas. Gente, isso é bom demais! Obrigada!

[para conferir, cliquem no título do evento]


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Crise de Ciúmes


 


As bengalas lisas indignaram-se ao serem preteridas pelas bengalas envergadas e fizeram um motim. 

Em fila indiana, marcharam até a praça central da cidade e iniciaram a manifestação.

Tão logo souberem do fuzuê, as bengalas envergadas fizeram o mesmo.

O bengaleiro, representante da Indústria de Bengalas, Bastões, Cajados e Afins, foi enviado pelo Prefeito, na tentativa de apaziguar a balbúrdia formada na praça.

O confronto entre as duas tribos de bengalas gerou ainda mais confusão. Bordoadas pra lá, bordoadas pra cá. Ninguém se entendia.

Aos gritos, o bengaleiro pede para cada grupo se colocar em um lado distinto, de forma ordeira e pacífica.

— As bengalas lisas, que foram esquecidas pelo nosso honorável e estimado professor em seu tema literário, postem-se todas à direita.

— As bengalas envergadas, que foram elevadas ao mais alto grau de destaque, posicionem-se à esquerda.

Duas horas, quarenta minutos, doze segundos e duzentas cacetadas depois, as filas estavam formadas.

Logicamente as reclamantes tentaram se pronunciar primeiro, tal era o visível descontentamento geral. 

— Só porque somos lisas, não merecemos ser o tema do concurso? É ultrajante! – esbravejou uma bengala marrom, lisinha, lisinha.

— Pois nós, as envergadas, é que sempre fomos discriminadas por todos, nada mais justo sermos agora homenageadas dessa forma. Vocês estão é com inveja, isso sim!

— Discordo! Nós, as bengalas lisas temos sofrido muito mais. Reclamam de nosso acabamento ser escorregadio e causar inseguranças e pequenos incidentes. Queremos igualdade!

Atônito, neste momento o bengaleiro intervém na discussão.

— Acalmem-se! Há espaço para todas. Só precisam ter paciência e chegará sua vez de ficar em evidência. Não vejo motivo para tanta ciumeira. Por favor, voltem para seus armários!
   
Tarde demais. A baderna já estava formada. Os grupos se misturaram, num confronto surreal. Cajadadas para todo lado. Lascas de madeira voavam, naquela "surubada bengalística".  

E quando tudo parecia fora de controle e que nada pior poderia acontecer, eis que surgem dezenas de tigres de bengala e botam todos pra correr.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Sopros de uma Flor

Capa e contracapa do livro.


Olá, amigos, apresento a vocês meu novo livro
 Sopros de uma Flor, que foi lançado em 23/08.


Para mim, poesia é a arte de libertar emoções, emocionando.

Gostaria muito de recordar qual foi o primeiro versinho que fiz. Não lembro. Sempre gostei de escrever contos e nunca havia me atrevido a criar poemas.  Achava que não conseguiria.

Mas...fui desafiada a participar de um concurso poético, num grupo na internet, do qual eu fazia parte, há uns cinco anos atrás.

E foi assim, que me aventurei com os primeiros versos.

Por diversão e rebeldia, escrevi alguns poemas onde a métrica foi utilizada na construção das estrofes. Minha intenção era destoar do que a maioria do grupo estava fazendo. Daí, que tomei simpatia pelo formato e segui escrevendo e me divertindo.[risos]

Porém, deixo claro que não tenho preocupação com o rigor das regras estruturais, pois não teria sentido libertarmos as palavras de dentro de nós, para prendê-las na rigidez das linhas.

Tento em meus versos, traduzir sentimentos em breves palavras.

E se eles tocarem o coração do leitor, consegui então fazer poesia.

Aos que quiserem ajudar a divulgar meu livro em seus blogues, darei de presente uma versão completa em formato pdf.

As ilustrações internas coloridas, estarão apenas na versão eletrônica, pois o livro com o miolo em cores teria um custo elevado e dobraria o valor final para venda. Então, optei pelo tradicional impresso em preto e branco. 


Sopros de uma Flor” é um livro que contém poemas inigualáveis, de criatividade, inspiração e originalidade soberbas, requintados e primorosos. Com a maioria deles, envoltos por romantismo e lirismo extasiante exaltando o amor e a paixão, e outros tantos que levam à reflexão e à meditação pela profundidade tocante da realidade dos temas abordados.
Trata-se de uma obra esplendorosa, que, com satisfação, eu recomendo. Pra você que gosta de ler coisas que acrescentam, fica aqui minha “dica”: Leia o “Sopros de uma Flor”, e se encante com essa magnífica obra.[Escritor J.R.Viviani, Vendedor de Ilusão]      


O livro já está a venda no site.
Podem ler as primeiras 17 páginas.
Para curtir, comprar, conferir, AQUI.



sexta-feira, 29 de junho de 2012

Se o copo transbordou...


A culpa foi da água, que fez uma tempestade, achando que o copo era o mar.

Não houve culpados - o copo é que ficou pequeno demais para os dois. E ele não tem culpa de ser do tamanho que é. Cada um deve aprender a lidar com suas limitações.

Na verdade, a água se encheu do copo e foi comprar umas gotículas no garrafão da esquina, sedenta para beber algo novo, porque estava afogada naquela rotina insípida. Inundou-se com as novidades e nunca mais voltou.

Analisando bem, o limite da água termina na borda do copo, o que prova que a água além de ser incolor, também era cega e não enxergou até onde poderia ir.

O problema é que todas as águas são iguais – elas molham!

Estava escrito em grandes respingos no oceano, que um dia aquela água toda iria transbordar. Pois o que é excessivo, uma hora ou outra excederá. Fato!

A sina da água era cair do copo, pois é caindo que se aprende.

O importante não foi a água que transbordou, mas aquela que permaneceu encharcada de si, dentro do copo.

Sim, o copo poderia ter evitado o derramamento, se ele fosse uma jarra.

Pensando bem, tudo que é demais - é demais!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Paralelos que se Abrem

 
Anoiteceu. Sentei-me e abri as janelas. Esperei
Um cenário de cores e sons logo me arrebatam
O céu está limpo e as estrelas passeiam felizes
Vagueio como uma pluma levada pela ventania

Suspensa por fios invisíveis procuro por alguém
Sinto fome da presença dele. Aguardo, ansiosa
Enquanto isso, fico na orla comendo horizontes

Então, ele vem! 
 reluzente, das frestas do infinito

Tímida e dócil feito uma chinchila, pulo as ondas
E me alimento dele  e  de seus náufragos afagos
Mergulhando num doce momento, real e sublime
Depois, fecho as janelas e desligo o computador


sábado, 7 de janeiro de 2012

No mar, o tempo nada...



Mergulhado no mais profundo vazio, recuava ante o toque das gentes, o encostar das mãos e o cheiro do povaréu.

Daí, que partiu mar adentro, onde a natureza segue, na correnteza viva, mas sem gentes.[ou quase]

Quanto mais se afastava das multidões, mais sentia-se parte do oceano e satisfeito como jamais estivera.

Por lá ficou, navegando dias sem fim, no barco à deriva, alimentando-se de isolamento e de imensidão azul.

Até certa manhã, em que despertou novamente entediado com a própria existência, esbravejando para seu reflexo na água: “O que sou, afinal?”

O oceano parecia responder, com o barulho das ondas: nada! tudo! nada! tudo!...

Ciente de que onde quer que fosse, levaria gente com ele, sendo gente ele também, mergulhou até o fundo e num peixe se tornou.



sábado, 3 de dezembro de 2011

Só não previu o imprevisto


Nascera sob o signo da exuberância. Bela, ousada, sem papas na língua. Extravagante e impetuosa, vive o cotidiano com tamanha fúria, que não raro se corta e se perfura. Expurga emoções pelos poros, estampando no corpo diversas tatuagens. Tudo que ama, gravado na pele. Assim é Karla.



Alma aberta, como asas de um anjo, sedenta e faminta por prazeres inéditos. Provoca, avança e jamais se retrai. Valoriza a busca e devora o achado. E quando o risco se torna previsível, abandona o oásis, solta um palavrão e segue em frente, esvoaçando seus longos cabelos lisos e negros. 

A todos se intitula punk, rebelde e transgressora, mas quando está só em seu quarto, chora todas as dores do mundo, ao som do mais pesado metal.

Ela queria mais tempo, mas a vida é breve. Cada dia a mais, é um dia a menos. Não há tempo algum a perder e este é seu jeito de viver os dias que lhe restam.

Sim... faltam mais seis meses. Seis meses!!!...

Sonha desde pequena o mesmo sonho. Sabe que aos vinte irá morrer. E isso já não mais a atemoriza. 

"Como seria, se todos soubéssemos o instante da expiração, quando o ar falta e tudo fenece?"

Pensava nisso, ao caminhar distraidamente pela calçada, quando uma placa de anúncio desprende-se da fachada de um prédio e desaba em sua cabeça.

Um estouro. Sangue. O sangue de seu corpo indo embora.

Imóvel no chão, os olhos perplexos, vê as nuvens se movendo, formando o desenho de um anjo.

Se não estivesse se sentindo tão ludibriada, teria achado lindo.   

— “Que merdaaaaa....!”