
peguei na net a imagem de uma xícara, dupliquei, fiz efeitos e ficou assim
Lá fora, a chuva fina banhava as calçadas. Dentro da cafeteria, o casal conversava num tom pouco cordial. As feições de ambos demonstravam desconforto. Os olhos dele analisando cada expressão da bela jovem sentada à sua frente. Dois anos juntos. O flagrante. A surpresa da deslealdade. Enganara-se, mais uma vez.
Uma iminência sinistra apossou-se dele, ao perceber a mancha alastrando-se diante de seus olhos. Inutilmente ela tentava fazer parecer o que sabidamente não era. Quanto mais explicações dava, mais a nódoa se espalhava. Conhecia as mulheres. Sabia que se não a deixasse falar até o fim, aquele fim nunca teria fim.
Suportou quarenta longos minutos de palavras vazias que já não lhe diziam coisa alguma. A mancha agora cobria tudo, inclusive a alvura da fina toalha de linho. Engulhos revoltosos ameaçavam vir à tona. E no momento em que ela descaradamente lhe pediu perdão, ele não resistiu mais e vomitou. Lançou sobre ela, sobre a mesa, sobre suas ilusões, sobre seu tempo perdido, toda a náusea de sua inconformidade e foi embora, sem olhar para trás.
Uma iminência sinistra apossou-se dele, ao perceber a mancha alastrando-se diante de seus olhos. Inutilmente ela tentava fazer parecer o que sabidamente não era. Quanto mais explicações dava, mais a nódoa se espalhava. Conhecia as mulheres. Sabia que se não a deixasse falar até o fim, aquele fim nunca teria fim.
Suportou quarenta longos minutos de palavras vazias que já não lhe diziam coisa alguma. A mancha agora cobria tudo, inclusive a alvura da fina toalha de linho. Engulhos revoltosos ameaçavam vir à tona. E no momento em que ela descaradamente lhe pediu perdão, ele não resistiu mais e vomitou. Lançou sobre ela, sobre a mesa, sobre suas ilusões, sobre seu tempo perdido, toda a náusea de sua inconformidade e foi embora, sem olhar para trás.
* * *
Vomitada e perigosa, levantou-se, enfurecida e fétida. Em sua roupa, o odor da incompreensão daquele com quem um dia compartilhara salivas, toalhas, roncos, chulés e seus pensamentos mais íntimos.
Ganhou a rua. A chuva lavou suas vestes das golfadas violentas de antes. Aquele ultraje seria devolvido. Sim! Pensaria em algo bem sórdido para revidar a maneira nojenta como fora tratada. Todos merecem perdão. Afinal, ter um caso com o irmão dele foi um acontecimento que aconteceu, sem ela querer que acontecesse.
Naquela noite, não conseguiu dormir. A imagem tormentosamente ricocheteava em sua mente. Aquele cheiro de vômito nunca mais sairia dela. Lembrou-se do filme "Carrie, a Estranha", na cena em que o balde de sangue lhe cobriu o corpo.
Ahh, sua vingança seria pior, bem pior!
* * *
O refluxo ofensivo e insultuoso emergia a todo instante. O sangue nem corria mais nas veias, pululava tresloucado. Antevendo uma revanche melodramática e por isso mesmo malograda, recolheu-se por alguns dias. Não queria agir movida pela emoção. Seria impiedosamente implacável em sua vingança. A semente da desforra germinava em sua mente, doidivanamente, crescendo mais e mais a cada minuto.
Planejou durante dois meses, com esmero e cuidado, as armas que usaria em seu fatídico ato final. Depois do que pretendia fazer, ele nunca mais lançaria seu hálito sobre ela, nem sobre inofensivas toalhas e porcelanas finas. Tampouco sentiria novamente o bafo de quem quer que fosse.
Tudo preparado. Pegou a sacola e saiu em direção ao prédio onde ele trabalhava.
Nervosa, chegou cedo. Aproveitou para olhar as promoções das lojas. Pelo reflexo do vidro, cuidava as pessoas do outro lado da rua. Logo o veria. Conhecia bem os hábitos dele. Enquanto isso, os vestidos e calçados a distrairiam. Vitrines.... ele odiava vitrines. Odiava esperar por ela. Pensava nisso, quando o viu. Alinhado e elegante, como de costume. E acompanhado! O quê?? Abraçado com... não, não podia ser! O que a irmã dela está fazendo com ele?
Diante de tamanho abalo, suas mãos tremem e a sacola não resiste, desabando de encontro ao chão.
Diante de tamanho abalo, suas mãos tremem e a sacola não resiste, desabando de encontro ao chão.
Nauseada até o último fio de cabelo, escorou-se no canto da loja e vomitou sobre o vidro, sobre a própria roupa, sobre a sacola, sobre alguns passantes, que nada tinham a ver com a vingança malograda, expelindo a raiva, a frustração e todo o café da manhã.
Do outro lado da rua, o casal troca carinhos e afagos.
« FIM »








