
terça-feira, 26 de abril de 2011
Sofreguidão

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segunda-feira, 11 de abril de 2011
O sabor do vento

Admirava o movimento pelo quadrado da janela
E não fosse por suas pernas tão entorpecidas
Partiria, estonteante, feito um albatroz-viajante
Como um raio silencioso que antecede o trovão
Romperia o ar que paira sobre ondas marinhas
Percorrendo longa distância até o néctar alado
E provaria o gosto sabor da liberdade sem fim
☼
Seria bom sentir o doce aroma da dissolução
Rompendo esforços e cansaços do cotidiano
Deixando para trás todas as tristezas e voar,
Ir feito nômade, para onde só vibrasse o Sol
☼
Ainda provava a espuma das ondas, quando
Uma voz cristalina quebra a quietude da sala
Caindo nela como um falcão sobre sua presa
Trazendo-a de volta ao seu gasto e puído lar
Sua realidade não lhe dava mesmo sossego!
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terça-feira, 5 de abril de 2011
Só pra você!...

Só pra você!...
Eu me deixo despetalar até a última pétala
E desnudo meus botões róseos arrepiados
Que se abrem em flor ao sentir seus dedos
Exalando perfumes de inebriantes desejos
E perco o juízo enquanto ouço seu suspiro
Sobre o mar aberto, descortinado e úmido
Sua boca se perde e se encontra molhada
Enquanto arranho suas costas em vaivém
E digo “sim!” ao que antes eu dizia “não!”
Só pra você eu me entrego inteira assim
E de mim receberás o meu maior gemido
Porque é só você que eu quero em mim...


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terça-feira, 29 de março de 2011
Estrabismo moral
As pernas seguem
Os pensamentos ficam
Os pensamentos travam
As pernas param
As pernas se abrem
Os pensamentos se chocam
Os pensamentos se abrem
As pernas ficam confusas
As pernas se fecham
Os pensamentos ordenam
Pernas, pra que te quero!
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Prosas poéticas
quinta-feira, 24 de março de 2011
Toque-me!

Partitura aberta. No palco o piano espera
Da plateia ouvem-se rumorejos buliçosos
Corpos sequiosos pelo início do concerto
No interior, as cordas se agitam excitadas
Todas afinadas e prontas para os acordes
Tesas, no intervalo que antecede o toque
♫ ☼ ♫
Silêncio. O pianista surge. Meia-luz em foco
Melodiosa sinfonia mansamente lírica ressoa
Tesouro de sons tombando sobre as teclas
Breve, semibreve, sobre si, um fá, lá, sem dó
Longos dedos hábeis fazendo vibrar até o Sol
Contagiando os ouvidos, iluminando as almas
E as notas vão gemendo, subindo, deliciando,
extasiando o público, que em deleite sonoro,
levanta-se, aplaude e grita: Bravo! Bravo!...
♫ ☼ ♫
♫ ☼ ♫
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sábado, 19 de março de 2011
Nosso Amor

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domingo, 13 de março de 2011
Sombras

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segunda-feira, 7 de março de 2011
O sorriso de Gardênia

criação totalmente minha - parece fácil - mas deu enorme trabalho pra fazer..rs
Tem situações para as quais não se encontram explicações. E por mais que se analise em partes minúsculas e se esquadrinhe por vários ângulos, o mistério permanece.
Aquela alegria toda, vinha de onde? Gardênia estava feliz desde o início do dia. E já passava das oito da noite! Muito estranho. Ninguém fica feliz assim, tantas horas seguidas. Ela não tirara o sorriso do rosto um minuto sequer. E o olhar, então! Brilhantes, como duas estrelas. A coisa mais linda!
Naquele dia, o dia amanheceu e morreu cinzento. Nem era um dia como outro qualquer. Não. Era o mais frio do ano. O mais chuvoso da última década. O mais adverso da estação. E Gardênia sorrindo. Aos pais, falou que tivera um estalo repentino. Botou o pé no chão ao levantar de manhã cedinho e constatou: a felicidade é uma estação e pode tocar sua música preferida dentro de você o dia todo. Ahh! E fazer Sol até o Sol raiar.... só depende de você!
- Que nojo, mana, tá parecendo uma idiota com esse brilho no olhar.
- Júnior, não implica, ser feliz é muito bom. Devia experimentar, viu?
- Mãe, acho que ela tá bêbada, ou apaixonada. O que é quase a mesma coisa.
- Pois saibam que eu descobri como ficar contente o tempo todo.
- Arrá, nem vem, isso é impossível!
- Júnior, é simples, basta sorrir pra vida e ela vai sorrir pra você.
- Merdinha de clichê barato. Acho que vou vomitar. Isso tá demais pra mim. aff
- Como você é babaca, Júnior. Sabia que um dia sem sorrir é um dia desperdiçado? Eu li isso. Alguém famoso disse, só não lembro quem. Vai dizer que não é lindo?!
Os pais, começaram a sorrir também, felizes em ver a filha feliz. É o que todos os pais desejam, não é mesmo, ver os filhos felizes? Até aquele dia haviam se empenhado nesse sentido. Agora, viam que seus esforços foram recompensados. Ao menos com Gardênia. Já com o filho mais novo... Bem, Júnior estava em plena fase dark. Dezesseis anos. Idade complicada. Gostava de ficar triste. Achava bonito. Para ele, viver era sinônimo de escuridão e vazio. A vida. A morte. As relações afetivas. O poder institucional. Nada fazia sentido. Tudo era utópico e efêmero, desprovido de verdade. Quase nunca sorria. Achava repulsivo ver a irmã se enganando. “Coitada, dois anos mais velha e tão ingênua. Isso que dava ficar olhando novelas e lendo livros de autoajuda. Só podia ser!” – pensava o irmão.
- Mana, é triste ver você tão alienada. Vou pro meu quarto. Fui!
- Pois eu vou mostrar pra vocês que este sentimento não é passageiro - disse, sorrindo largamente, de orelha a orelha.
* * *
Naquela noite, Gardênia dormiu sorrindo. Sonhou com um jardim florido, perfumado, cheio de borboletas coloridas, onde todos cantavam e cirandavam.
No dia seguinte, botou o pé no chão e deu por falta dos chinelos. Tudo bem. Vai sem chinelo mesmo. Foi andando pelo piso frio até o banheiro. Suspirou. A porta trancada. Esperou até o irmão sair. Tudo bem. Usar o banheiro logo após alguém deixar horrivelmente fedido. Coisas da vida. Entrou no boxe, abriu o chuveiro. E parou de sorrir, de súbito, quando viu que alguém tinha acabado com seu shampoo especial para cabelos volumosos.
- Mãããããeeeeeee!!!!

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sábado, 26 de fevereiro de 2011
Vampira da Noite

foto da internet, mas a flor e o sangue eu que coloquei e mudei a cor dos olhos
Ande, dê-me corda
estique-me até à lua
toque seus lábios
em minha pele
alva e nua
desfolhada em pétalas
sobre oceanosas nuvens
e sem assombro, encare
minha fome na escuridão
seduza-me com sua língua
alivie a dor desta maldição
enquanto se fere
eu me libertarei
mas um dia retornarei
e serei doce

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