criação totalmente minha - parece fácil - mas deu enorme trabalho pra fazer..rs
Tem situações para as quais não se encontram explicações. E por mais que se analise em partes minúsculas e se esquadrinhe por vários ângulos, o mistério permanece.
Aquela alegria toda, vinha de onde? Gardênia estava feliz desde o início do dia. E já passava das oito da noite! Muito estranho. Ninguém fica feliz assim, tantas horas seguidas. Ela não tirara o sorriso do rosto um minuto sequer. E o olhar, então! Brilhantes, como duas estrelas. A coisa mais linda!
Naquele dia, o dia amanheceu e morreu cinzento. Nem era um dia como outro qualquer. Não. Era o mais frio do ano. O mais chuvoso da última década. O mais adverso da estação. E Gardênia sorrindo. Aos pais, falou que tivera um estalo repentino. Botou o pé no chão ao levantar de manhã cedinho e constatou: a felicidade é uma estação e pode tocar sua música preferida dentro de você o dia todo. Ahh! E fazer Sol até o Sol raiar.... só depende de você!
- Que nojo, mana, tá parecendo uma idiota com esse brilho no olhar.
- Júnior, não implica, ser feliz é muito bom. Devia experimentar, viu?
- Mãe, acho que ela tá bêbada, ou apaixonada. O que é quase a mesma coisa.
- Pois saibam que eu descobri como ficar contente o tempo todo.
- Arrá, nem vem, isso é impossível!
- Júnior, é simples, basta sorrir pra vida e ela vai sorrir pra você.
- Merdinha de clichê barato. Acho que vou vomitar. Isso tá demais pra mim. aff
- Como você é babaca, Júnior. Sabia que um dia sem sorrir é um dia desperdiçado? Eu li isso. Alguém famoso disse, só não lembro quem. Vai dizer que não é lindo?!
Os pais, começaram a sorrir também, felizes em ver a filha feliz. É o que todos os pais desejam, não é mesmo, ver os filhos felizes? Até aquele dia haviam se empenhado nesse sentido. Agora, viam que seus esforços foram recompensados. Ao menos com Gardênia. Já com o filho mais novo... Bem, Júnior estava em plena fase dark. Dezesseis anos. Idade complicada. Gostava de ficar triste. Achava bonito. Para ele, viver era sinônimo de escuridão e vazio. A vida. A morte. As relações afetivas. O poder institucional. Nada fazia sentido. Tudo era utópico e efêmero, desprovido de verdade. Quase nunca sorria. Achava repulsivo ver a irmã se enganando. “Coitada, dois anos mais velha e tão ingênua. Isso que dava ficar olhando novelas e lendo livros de autoajuda. Só podia ser!” – pensava o irmão.
- Mana, é triste ver você tão alienada. Vou pro meu quarto. Fui!
- Pois eu vou mostrar pra vocês que este sentimento não é passageiro - disse, sorrindo largamente, de orelha a orelha.
* * *
Naquela noite, Gardênia dormiu sorrindo. Sonhou com um jardim florido, perfumado, cheio de borboletas coloridas, onde todos cantavam e cirandavam.
No dia seguinte, botou o pé no chão e deu por falta dos chinelos. Tudo bem. Vai sem chinelo mesmo. Foi andando pelo piso frio até o banheiro. Suspirou. A porta trancada. Esperou até o irmão sair. Tudo bem. Usar o banheiro logo após alguém deixar horrivelmente fedido. Coisas da vida. Entrou no boxe, abriu o chuveiro. E parou de sorrir, de súbito, quando viu que alguém tinha acabado com seu shampoo especial para cabelos volumosos.
- Mãããããeeeeeee!!!!