sábado, 26 de fevereiro de 2011

Vampira da Noite

foto da internet, mas a flor e o sangue eu que coloquei e mudei a cor dos olhos


                                                             Ande, dê-me corda
                                                                estique-me até à lua
                                                                          toque seus lábios
                                                                                  em minha pele
                                                                                             alva e nua
                                                                                        

                                                              desfolhada em pétalas
                                                  sobre oceanosas nuvens

                                                             e sem assombro, encare
                                                 minha fome na escuridão

                                              seduza-me com sua língua
                                                         alivie a dor desta maldição
                                                enquanto se fere
                                                eu me libertarei

                                           mas um dia retornarei
                                                   e serei doce




sábado, 19 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Coisinhas prosaicas



E se o amor nada mais for do que nossa carência preenchendo vazios? Eu hein, pois acreditem, Arnaldinho largou-me essa, dia desses. Como assim, preencher vazios? Amor é amor, ora! Todo mundo sabe que não depende de nada, a gente sente, sem querer sentir. Falei isso pra ele..., no que iria me arrepender profundamente. Minha discordância resultou em horas de conversas que vararam a madrugada e acabou que ele dormiu aqui em casa. Daí... bem, Arnaldinho tem aquela carinha de "adote-me". Irresistível. E eu estava carente. E falamos sobre o vazio até nos enchermos. E .... não me arrependi.

Mas, voltando ao vazio que nos leva ao amor. Que loucura, não? Tentar preencher o vazio de uma vida, tornando-se íntimo de outra vida, que também sente sua vida vazia e procura outra vida para sentir-se menos vazio!? Ufa!

E se, ao contrário, entrarmos em outra vida, cujo coração não se encontra vazio? Aposto que logo reclamaremos que não há espaço pra nós, ou coisa do gênero.

Também não deve ser raro os que buscam vazios virgens, inéditos, pra garantirem que serão os únicos  responsáveis pelo preenchimento dos mesmos. Sei lá. Não sei de tanta coisa. Assim mesmo, continuo amando.

Bem me disse semana passada, João Paulo, que eu sou uma pessoa hesitante. Caramba, pensei em dizer tanta coisa pra ele! - mas não disse nada. Ele tem razão, sou hesitante. Poxa, justo ele, um cara com quarenta e dois anos, que ainda mora com os pais!.... me dizer algo assim. Fiquei dois dias deprimidíssima. Depois passou.

Pior foi Maria Rita, sutilmente, em meio a uma conversa fútil, me acusar de ressentida. Quase fiquei de mal com ela por causa disso. Ao contrário, que fiz eu? Hein? Que fiz? Nadinha. Mas guardei bem guardado e remoí por duas semanas. Não. Minto. Ainda estou remoendo. Ressentida, eu? Ela vai ver, não perde por esperar. Na hora certa, darei o troco.

Refletia intensamente sobre todas as críticas das últimas semanas, meses, anos, quando Fabrício, meu vizinho de porta, apareceu. Folgado como ele só, entrou e foi direto escolher uns filmes na estante, para só depois me pedir emprestado. Sujeitinho sem noção! - pensei. Dei um sorriso de papelão e fiquei olhando ele remexer nas minhas preciosidades. Emprestei uma vez e abri as comportas para todo o sempre? Bem feito pra mim! E como eu não soube dizer com certeza qual meu estilo preferido, ele soltou a pérola que faltava pra completar meu lindo colar de acusações: "Poxa, tu nunca tem certeza de nada?" Como é???? Só não expulsei ele depois dessa porque eu sou educada e fui pega de surpresa e não soube direito como agir e filosoficamente ninguém tem mesmo certeza de nada.

Desnorteada, deitei-me no sofá e lancei esta bomba na minha direção: "caramba, nem meus amigos imaginários ficam do meu lado!"



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O controle que não temos


Olhou o corpo inerte do amado, jogado no asfalto, contra o meio-fio. Sentou-se e esperou em vão um movimento, um sinal de vida, mas ele continuava imóvel, estirado no chão. Desesperada, pediu ajuda, aos gritos.

Tarde demais. Ele se fora, para algum lugar onde não sentirá mais fome, nem frio - já não era - mesmo sendo tudo!

Estranhos chegaram para socorrê-lo, quando nada mais podia ser feito e o levaram. Levaram seu amor! Braços, que horas antes a tocavam, agora jaziam paralisados. Olhos, que a seguiam por onde quer que fosse, fechados para sempre. A voz carinhosa, que a todo instante repetia o quanto a amava, nunca mais seria ouvida. O corpo, quente e clamando a todo momento pelo seu, destroçado por um carro na contramão. Não era justo! Não!!! O que faria sem ele?

Derramou todas as lágrimas que possuía.



Retornou para um apartamento lutuoso, onde até o piso chorava com seus passos. O silêncio ecoando pungente pelos cômodos.

Com as mãos trêmulas e a alma sangrando, ligou a televisão num gesto instintivo e segurou bem firme o controle remoto.

Precisava sentir o domínio sobre algo.




Às vezes....


...não enxergamos o que está em nosso nariz,

seguimos rua afora, altivos em insolente soberba

com a vaidade inflada ante os olhares alheios

e somente quando nos miramos no espelho

notamos a grande meleca esquecida





O amor embobece




Abraçadinhos

Olhando para o céu

Os olhos dela estrelados

Como ovos numa frigideira