quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O controle que não temos


Olhou o corpo inerte do amado, jogado no asfalto, contra o meio-fio. Sentou-se e esperou em vão um movimento, um sinal de vida, mas ele continuava imóvel, estirado no chão. Desesperada, pediu ajuda, aos gritos.

Tarde demais. Ele se fora, para algum lugar onde não sentirá mais fome, nem frio - já não era - mesmo sendo tudo!

Estranhos chegaram para socorrê-lo, quando nada mais podia ser feito e o levaram. Levaram seu amor! Braços, que horas antes a tocavam, agora jaziam paralisados. Olhos, que a seguiam por onde quer que fosse, fechados para sempre. A voz carinhosa, que a todo instante repetia o quanto a amava, nunca mais seria ouvida. O corpo, quente e clamando a todo momento pelo seu, destroçado por um carro na contramão. Não era justo! Não!!! O que faria sem ele?

Derramou todas as lágrimas que possuía.



Retornou para um apartamento lutuoso, onde até o piso chorava com seus passos. O silêncio ecoando pungente pelos cômodos.

Com as mãos trêmulas e a alma sangrando, ligou a televisão num gesto instintivo e segurou bem firme o controle remoto.

Precisava sentir o domínio sobre algo.




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